Este curso integra o projeto Passaporte Cultural, no qual, ao pagar uma mensalidade de R$160/€31, como Netflix ou Spotify, você tem acesso a todo o cronograma de cursos do Espaço f/508 de Cultura. Inscrições abertas para o ciclo que começou em Janeiro de 2022

OBJETIVOS

Geral
Incentivar os/as participantes a estudar a história do continente africano e identificar sua influência no mundo contemporâneo como um todo.

Específicos:
- Contrapor o conceito hegeliano de que “África não tem história” ou que se trata de algo primitivo, selvagem, desprovido de razão;

- Apresentar personagens e momentos históricos passados em África que foram decisivos para a história da humanidade, mas que não recebem o devido relevo nos materiais didáticos atuais;

- Estudar a organização de algumas sociedades africanas no período pré-colonização europeia e alguns dos grandes impérios que se formaram então;

- Possibilitar aos/às participantes a identificação de elementos culturais africanos na formação da sociedade brasileira e de outros países;

- Identificar as unidades culturais africanas constituintes do modo de ser estar das pessoas negras em todo o mundo;

- Introduzir autores/as negros/as cuja leitura de processos culturais/intelectuais/sociais de África e da Diáspora auxiliam a compreender a relação entre diversos países e a África e as influências mútuas;

- Discutir conceitos como Pan-africanismo, Afrocentricidade, Mulherismo Africana, Feminismo Negro e outras possibilidades epistemológicas de organização da população negra frente às múltiplas opressões vividas;

- Reconhecer as diversas formas de resistência da população negra em todo o mundo por meio de práticas culturais, intelectuais e acadêmicas.

CONCEITO DO CURSO

Ao compreendermos que a vida surgiu em África, e que, portanto, a maioria das tecnologias que hoje temos surgiu lá primeiro, superamos o conceito de que o continente “não tem história”. Áreas do conhecimento como engenharia, matemática, química, filosofia, entre muitas outras, surgiram primeiro em África. As maiores civilizações e impérios eram africanos, e somente após o processo de colonização por países europeus é que esses grandes poderes foram enfraquecidos e destituídos. A propaganda de que o continente era “intelectualmente inferior” serviu ao propósito primeiro de justificativa para a escravização daquele povo.

A Diáspora Africana, ou, resumidamente, o processo de sequestro e escravização que espalhou a população negra pelo mundo, é determinante para compreender as relações (e tensões) raciais que se estabelecem contemporaneamente. Trazendo para a realidade da América Latina, é impossível não reconhecer a influência da cultura africana em todos os países da América, desde as contribuições no idioma, passando pela gastronomia, até as manifestações culturais como música e dança. Nesse sentido, Lélia Gonzalez propõe um novo conceito:

América Africana cuja latinidade, por inexistente, teve trocado o t pelo d para, aí sim, ter o seu nome assumido com todas as letras: Améfrica Ladina. (...) As implicações políticas e culturais da categoria de Amefricanidade são, de fato, democráticas; exatamente porque o próprio termo nos permite ultrapassar as limitações de caráter territorial, linguístico e ideológico, abrindo novas perspectivas para um entendimento mais profundo dessa parte do mundo onde ela se manifesta: a AMÉRICA e como um todo (Sul, Central, Norte e Insular). Para além de seu caráter puramente geográfico, a categoria de Amefricanidade incorpora todo um processo histórico de intensa dinâmica cultural (adaptação, resistência, reinterpretação e criação de novas formas) que é afrocentrada, isto é, referenciadas em modelos como: a Jamaica e o akan, seu modelo dominante; o Brasil e seus modelos yorubá, banto e ewe-fon. Em consequência, ela nos encaminha no sentido da construção de toda uma identidade étnica. Desnecessário dizer que a categoria de Amefricanidade está intimamente relacionada àquelas de Panafricanismo, “Négritude”, “Afrocentricity” etc. (GONZALEZ, 1988:69-76-77)

A Amefricanidade é este conceito que abrange África e sua Diáspora, por compreender sua influência em todo o mundo, mas, sobretudo, nas Américas, principal ponto de desembarque das pessoas africanas escravizadas entre os séculos XVI e XIX. A partir dele será possível traçar o paralelo histórico entre África, Brasil e outros países dessa Diáspora, influenciados e transformados a partir desse contato, ainda que por meio do cruel processo da escravização, com a potência do povo africano.

O legado africano é muito maior e mais complexo do que é apresentado pelos livros didáticos comuns e não se resume à escravidão na Diáspora nem à colonização no continente. Conhecer, ainda que brevemente, a história e a cultura da África nos permitirá saber mais sobre vários povos que contribuíram para a construção de identidades plurais por todo o mundo, ou seja, nos permitirá um aprofundamento na história de nós mesmos.
PROGRAMA

  • Aula 1: 

Mãe África – Os Sapiens e sua dispersão pelo mundo

Linha do tempo desde o surgimento dos primeiros seres humanos em África, sua evolução e dispersão pelo mundo. Aspectos geológicos do continente, que permitiram o estabelecimento e desenvolvimento das primeiras sociedades.

  • Aula 2: 

Matriarcado e berço civilizatório africano

Conceitos de Matriarcado, Patriarcado, Matrilinearidade e Patrilinearidade como constituintes dos berços civilizatórios africano e europeu. Mitos femininos africanos e gregos como símbolos do lugar da mulher nas respectivas sociedades.

  • Aula 3: 

Grandes Impérios

Serão apresentadas a forma de organização social, economia e momentos históricos de alguns impérios africanos, tais como: Gana, Aksum (Axum), Mali (Mandinka), Congo, Songhai, Oyo Yorubá, Benin, e os mais tradicionalmente estudados: Kush e Egito.

  • Aula 4: 

Atlântico Negro – Diáspora e Escravização

A colonização da África pela Europa, escravização, resistência organizada nas Américas, preservação da memória e da cultura por meio da tradição oral. Serão apresentadas personalidades que se destacaram na resistência africana (do continente e da Diáspora), tais como: Zumbi dos Palmares, Nanny of the Maroons, Rainha Nzinga, Harriet Tubman.

  • Aula 5: 

Xenofilia – a África na Diáspora

Para além de lutar pela preservação de seus hábitos e costumes, os povos africanos em Diáspora também abraçaram idiomas e comportamentos de culturas diferentes da sua própria, juntando essas diferenças e transformando em algo novo. Dança, religião, gastronomia e até mesmo o idioma falado no Brasil são exemplos disso. Nesta aula vamos abordar esse traço da cultura africana, que garantiu a sobrevivência de africanos em Diáspora e permitiu o desenvolvimento de culturas que mesclam elementos africanos e de outros povos.

  • Aula 6: 

Independência de países africanos

Processos diferentes levaram países africanos a se tornar independentes dos colonizadores europeus. Vamos estudar como foi a independência dos seguintes países: Angola (1975), Moçambique (1975), Timor Leste (colonizado por Portugal e posteriormente invadido pela Indonésia; independente em 1975 e 2002, respectivamente), Nigéria (1960), Congo (1960) e Sudão (1956).

  • Aula 7: 

Amefricanidade – Pan-africanismo e afrocentricidade

Vamos debater os conceitos de Pan-africanismo, Afrocentricidade, Mulherismo Africana, Feminismo Negro, Black Money como alternativas epistemológicas de resistência da população negra em África ou na Diáspora como eles têm contribuído na luta contra o racismo e às múltiplas opressões a que as pessoas negras estão submetidas.

  • Aula 8: 

Afrofuturismo – Passado e futuro de uma perspectiva africana

A partir deste movimento cultural, vamos conhecer artistas africanos do continente e da Diáspora que trabalham sob essa perspectiva e espalham a cultura e a história africanas por meio da arte contemporânea pelo mundo.

Inclui certificado

Todas as formações do f/508 incluem certificação mediante participação nas aulas

Acesso às gravações

Todas as aulas online do f/508 são gravadas e fornecidas para que o aluno possa revisitá-las

Público alvo

Interessados em conhecimentos sobre história africana e afro-brasileira e Diáspora Africana; estudantes e professores de História; ativistas do Movimento Negro.

Pré-requisitos

Nenhum

Jô Gomes

Bio
Jô Gomes é jornalista e pós-graduada em Gestão de Políticas Públicas de Gênero e Raça pela Universidade de Brasília. É mestranda em Dança na Universidade Federal da Bahia onde pesquisa Matriarcado e Oralidade nas Danças Afro-brasileiras. É pesquisadora de História Geral da África e Matriarcado Africano pelo Instituto Hoju (RJ) e pelo Grupo Gira (UFBA). Pós-graduada em Dança e Consciência Corporal (Estácio), é bailarina e coreógrafa especializada em danças africanas do continente e da Diáspora, tradicionais e urbanas (Danças Afro-brasileiras, Kuduro, Afro House, Dancehall, Vogue, Funk e Passinho). Sua formação transdisciplinar lhe permite compreender a importância das artes e da mídia para a desconstrução de estereótipos e fazer a interseccionalidade de corpo e intelectualidade negras.
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